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... Há tempos quero escrever, mas não sei como externar... Talvez ainda não esteja maduro, mas resolvi tentar.
Quanto tempo temos aqui? O que é imprescindível durante nossa vivência terrestre?
Todos já pensaram sobre isso, garanto, mas e daí?
Sim, e daí?
Quero dizer, é importante saber o valor de cada coisa, principalmente quando ouvimos "você tem o HOJE para fazer algo melhor, pois o ontem passou e o amanhã é a colheita do plantio atual.
É um tema tão famoso, tão abordado, mas que nem sempre toca o coração das pessoas, servindo, algumas vezes, até mesmo para desanimar.
Isso porque todos sabemos a importância de vivermos o hoje responsavelmente, mas muitos acabam se acomodando por observarem que o mundo é tão imenso, com extremos tão distantes, que a natureza tão perfeita e nós, em contrapartida, tão imperfeitos.
Mudar, trabalhar na nossa reforma íntima dá trabalho... Então, o mais cômodo, sem dúvidas é permanecer inerte, não é?
Mas até quando permaneceremos no mesmo degrau, praticando os mesmos e mesmos erros, ignorando as oportunidades que já temos capacidade de dectar?
Não cabe dizer aqui minha posição sobre o fim do mundo no ano 2012, mas e se não estivermos aqui na "data final"? Se formos embora agora? O que teríamos feito de real utilidade? Quantas pessoas teríamos confortado? Teríamos expressado tudo aquilo que realmente gostaríamos e sentimos? Teríamos amado com a potência que somos capazez?
O que teríamos deixado de fazer?
Nessa semana aconteceu algo que me impactou, pois eu vi o atropelamento de um cão na Rodovia dos Bandeirantes. Perguntas desordenadas passaram pela minha mente:
É um cachorro?
De onde surgiu?
Ele foi atrolelado?
Será que tinha dono?
Qual o valor do corpo?
Importante para alguém e desconhecido para os condutores?
Como é possível imaginar que por questão de um segundo tanta coisa mudou?
Ele não terminou de atravessar a pista, ele não mais chegará em casa com seu instrumento material, ele não mais terá pulgas e carrapatos, não importará se seu pelo é bonito ou não?
O que terá permanecido? O corpo será esmagado até sumir, ou removido da pista e jogado em um local específico (ou não) para que em seguida, estranhamente, sirva de alimento para bactérias e insetos.
Na verdade, o que mais me fez pensar foi o fato de ele ter sido atropelado e logo em seguida dois ou três carros já terem passado por cima.
Muitas pessoas passam maior parte da vida cuidando apenas e tão somente do corpo material. Temos sim de nos cuidar, de alimentar bem nosso instrumento emprestado por Deus. No entanto, deve este ser o foco de nossas vidas? Ou basta que tenhamos um corpo saudável (independentemente dos padrões da modernidade) e um espírito equilibrado, com reais virtudes?
O que fica e o que levamos conosco? Estamos nos preocupando mais com a nossa matéria do que com a evolução espiritual?
Hipoteticamente, imaginemos se o atropelamento tivesse ocorrido com um homem de corpo impecavelmente cuidado, mas que somente tenha praticado o mal... O que teria valido para ele todos os anos dedicados exclusivamente à malhação? E o que ele levaria consigo além das lembranças de suas condutas negativas.
Repensemos e tenhamos a consciência de priorizar as coisas que realmente importam em detrimento de outras menos importantes. Vivamos bem e aproveitemos a matéria, sem perdermos o equilíbrio e fugirmos do propósito pelo qual estamos aqui, que atrevo-me a mencionar: aprender a amar, amarmo-nos como verdadeiros irmãos.
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